Altair Guidi (*)
A recente pesquisa sobre “Mobilidade Urbana em Santa Catarina”, patrocinada e divulgada pelo Grupo RBS evidenciou uma série de informações que deveriam merecer uma análise mais profunda por parte dos prefeitos das cidades pesquisadas. Dentre os inúmeros resultados da pesquisa, destaco os três que me parecem mais expressivos.
O primeiro, e o que mais salta aos olhos é a falta de credibilidade para as iniciativas públicas voltadas à “soluções para o trânsito / mobilidade urbana”. A nota média, 4,9 (numa escala de 0 a 10), deixa claro que as pessoas pesquisadas não acreditam que as soluções propostas pelo Poder Público possam melhorar a mobilidade urbana. De duas uma: ou o governo estadual / municipal não conseguiu explicar para a população o significado prático das soluções propostas ou a população não acredita que elas resolvam o problema. Não seria o caso de ampliar os estudos antes de serem comprometidos recursos públicos com soluções que não merecem credibilidade por parte da população?
O segundo, refere-se ao transporte público. A pesquisa perguntou a não usuários freqüentes do transporte público, quais as três principais condições que poderiam induzi-los a optar pelo transporte público. As respostas são reveladoras: a primeira condição, com 40% das respostas, aponta o “custo-benefício melhor que outra opção”; a segunda, com 39%, destaca uma “disponibilidade de horários mais freqüentes”; e a terceira, com 33%, refere-se ao tempo gasto no trajeto. O aprofundamento dessa pesquisa em cada município poderia indicar novas soluções para o transporte público sem a necessidade de novos investimentos. Fica o desafio aos respectivos prefeitos.
O terceiro resultado que me chamou a atenção também está relacionado ao transporte público e é um complemento do anotado no item anterior. Respondendo a pergunta: “se as condições que você citou fossem atendidas você usaria o transporte coletivo com mais freqüência”? 42% dos entrevistados responderam Provavelmente sim; 40%, responderam Com certeza, Sim; 8% responderam Provavelmente não; e apenas 4%, responderam Com certeza não.
Observe-se que 82% das pessoas que não utilizam o transporte público estão dispostas a fazê-lo desde que ele atenda determinadas condições. Essa pré-disposição deixa claro que o vilão da mobilidade urbana não é apenas o automóvel; é também a péssima qualidade do transporte público.
(*) Deputado Estadual; ex-prefeito de Criciúma e ex-secretário do planejamento.
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