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Desastres Naturais

Altair Guidi (*)

A estruturação dos Comitês de Bacia Hidrográfica em praticamente todas as regiões do Estado concretizou uma forte participação comunitária na implementação de sistemas voltados ao gerenciamento das respectivas Bacias Hidrográficas.

Se a Sociedade Catarinense evoluiu na organização comunitária em cada uma das bacias hidrográficas, o mesmo não se pode dizer da administração pública. A infra-estrutura voltada à proteção das pessoas frente aos desastres naturais, notadamente as enchentes e as inundações, é a mesma do século passado. Apesar de todos os estudos desenvolvidos e das diferentes alternativas técnicas debatidas, é forçoso reconhecer que, de concreto, não foi feito absolutamente nada.

Observando agora, as terríveis imagens da dor, do sofrimento humano e das perdas materiais nas recentes enchentes no Vale do Itajaí, cabe a pergunta: Qual a diferença entre as imagens da enchente de 2011 e aquelas da enchente de 1983? Nenhuma diferença, porque a infra-estrutura de defesa da população de 2011 é idêntica a de 1983, malgrado terem decorridos 28 anos.

A grande vulnerabilidade de Santa Catarina não está na sua economia e nem nos seus diferentes sistemas sociais. Ela se concentra na falta de adequados sistemas de proteção dos meios urbanos e rurais ante catástrofes naturais, notadamente enchentes, desmoronamentos, inundações e vendavais. Se todos esses fenômenos ocorrem sem aviso, é essencial que se implantem sistemas de defesa capazes de proteger tanto as pessoas e seus respectivos patrimônios quanto os bens públicos e suas respectivas funcionalidades. E mais que isso: é essencial também que esses sistemas sejam objeto de permanente manutenção para que eles possam responder adequadamente sempre que for necessário.

A superação dessa vulnerabilidade precisa merecer a prioridade absoluta dos governos federal e estadual, na mobilização dos recursos que se fizerem necessários para implantar uma infra-estrutura de defesa, e dos governos municipais, para preservar as áreas de risco, impedindo sua ocupação, da forma mais obstinada possível.

Enquanto essa prioridade não for assumida com a necessária determinação, continuaremos reféns da dor, do sofrimento e das perdas humanas e materiais a cada nova enchente.
 

(*) – Deputado Estadual; ex-prefeito de Criciúma e ex-secretário do planejamento.

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